A Way Concessões arrematou a Rota Sertaneja após oferecer um desconto de 24,8% sobre a tarifa básica de pedágio, em leilão realizado na B3 (a Bolsa de Valores de São Paulo) nesta quinta-feira (6). O grupo estava representado pela corretora Safra.
A proposta superou os valores ofertados pelo Consórcio Rota do Cerrado (encabeçado pelo fundo XP Infra V), de 20,36%, e pela francesa Vinci Highways, de 20,11%.
O certame chegou a ir ao viva-voz, etapa em que as proponentes aumentam suas ofertas até que seja definido um vencedor, mas não houve nenhuma nova proposta.
O Consórcio Caminhos do Cerrado, composto pelas empresas Construcap CCPS Engenharia e Comércio e Copasa, ofereceu a menor proposta, de 14%, e não chegou a participar da etapa de viva-voz.
A concessão abrange duas rodovias federais, a BR-153 e a BR-262, que passam pelos estados de Goiás e Minas Gerais. O trecho serve de corredor logístico para escoar produtos do agronegócio e da indústria local.
Ao todo, a concessão prevê R$ 5,53 bilhões em Capex (investimentos em obras) e R$ 4,95 bilhões em Opex (custos de operação), em um trecho que se estende por quase 530 km.
Segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o projeto prevê mais de 42 km de duplicação, 4 km de contornos, 31,8 km de faixas adicionais, mais de 4 km de vias marginais, 6 passarelas, 132 acessos, 146 pontos de ônibus, 5 passagens de fauna, entre outras obras.
A concessão terá cinco praças de pedágio, duas em Goiás e três em Minas Gerais, nas cidades de Piracanjuba (GO), Itumbiara (GO), Prata (MG), Fronteira (MG) e Campo Florido (MG).
A Infra S.A realizou os estudos de viabilidade, que foram aprovados posteriormente pelo Ministério da Infraestrutura.
Na modelagem adotada pelo governo Lula nos leilões atuais, os interessados dão lances de desconto em relação à tarifa básica de pedágio, e o pagamento de aporte (caução) é necessário somente quando o corte na tarifa prometido é superior a 18%.
Depois desse patamar, há a incidência de aporte de recursos, que vai inteiramente para a conta da concessão e é utilizado, por exemplo, na execução de obras não previstas.
Até o fim do ano, o governo federal prevê mais dois certames, ambos na modelagem de leilões simplificados: a otimização da Autopista Fluminense (BR-101/RJ) e a otimização da Autopista Fernão Dias (BR-381/MG/SP).
O modelo de leilão simplificado prevê a oferta ao mercado de um contrato de concessão previamente acertado com uma companhia. No entanto, se outra proponente oferecer desconto maior sobre a tarifa, ou seja, uma proposta melhor, esse contrato pode trocar de dono.


